Se você tem se sentido um pouco estranha ultimamente, pode estar passando pela transição hormonal, a perimenopausa. E não é coisa da sua cabeça.
Ciclos irregulares, mais curtos ou mais longos. Libido diferente. Fluxo mais intenso. Um corpo que mudou sem você ter mudado os hábitos. Mais irritação, menos paciência, um sono que não é mais o mesmo. Todos esses sintomas são característicos dessa fase.
No começo não é óbvio. Por isso gosto de dizer que a menstruação é o relatório de saúde do mês, e a perimenopausa é o relatório de saúde da vida.
Quando começa a perimenopausa
A perimenopausa não é só o período logo antes da menopausa. Estimamos que os sintomas comecem cerca de 10 anos antes da última menstruação.
Entender em que ponto da transição você está ajuda a compreender os sintomas e a definir os melhores caminhos. Sem essa consciência, muitas mulheres passam por vários profissionais sem que ninguém chegue à causa: saúde mental, antidepressivos, tireoide, memória, mudanças no corpo, desempenho no exercício, dietas que deixam de funcionar.
Por que os exames não mostram
O exame é uma foto, e o que caracteriza a transição são as flutuações. Para flagrá-las, seria preciso fazer exames todos os dias. Por isso, observar o próprio corpo (disposição, energia, metabolismo e ciclo menstrual) é uma das melhores formas de saber se a transição já começou e onde você está. Um parâmetro útil é o FSH, que explico no post sobre o teste de perimenopausa em casa.
As 4 fases da transição hormonal
Fase 1: mudanças de comportamento
O ciclo ainda não muda muito, mas surgem sinais:
- Mais irritação
- Sintomas pré-menstruais que você não tinha
- Enxaqueca ou dor nos seios
- Mais sensibilidade ao estresse e menos tolerância a situações difíceis
Fase 2: predominância estrogênica
Os sintomas do ciclo aparecem com mais força:
- Ciclos mais curtos, de 24 ou 25 dias
- Mais dias de sangramento ou fluxo mais intenso
- Mais muco cervical e, às vezes, aumento da libido
- Sintomas pré-menstruais mais intensos e gotejamento antes da menstruação, típico da perda de progesterona
- Diagnósticos novos, como mioma, endometriose, adenomiose ou alterações nos seios
O que marca essa fase é a predominância estrogênica: às vezes por excesso de estrogênio, às vezes só pelo desequilíbrio com a progesterona, que começa a cair.
Fase 3: o sobe e desce do estrogênio
Considero uma das fases mais difíceis, porque não há padrão. Num mês você se sente seca, sem energia, sem libido, mais flácida. No outro (ou no mesmo mês), o oposto: ganho de gordura em quadril e coxas, inchaço, retenção de líquido, mais melasma.
Se você opta por reposição hormonal, essa fase pede cuidado: há perda clara de progesterona e o estrogênio ainda oscila muito. Repor estrogênio aqui pode, em alguns casos, levar a excesso. Cada caso é um caso.
É aqui que gosto muito do papel da nutrição: ela não repõe, ela equilibra. Estimula os órgãos a funcionarem melhor e se conecta aos receptores hormonais, ajudando nessa fase de tanta oscilação.
Fase 4: ciclos longos e escassos
- Menstruação a cada 2 ou 3 meses, com pouco sangue
- Alterações importantes de memória
- Mais gordura na barriga, porque com menos estrogênio o corpo fica mais sensível à insulina
- Insônia e cansaço
O que acelera e piora a transição
Além do envelhecimento natural dos ovários, há fatores que aceleram o processo e pioram sintomas que muitas vezes são reversíveis:
- Estresse e cortisol desregulado
- Déficit calórico e muitas deficiências nutricionais
- Alterações de tireoide
- Glicemia instável no dia a dia
- Sono ruim e rotina sem ritmo
A boa notícia: quando tomamos consciência do que está pesando, podemos mudar e reverter muitos sintomas.
Quem chega à fase 4 inflamada, com glicemia desregulada, deficiências nutricionais, intestino alterado e desrespeitando os relógios do corpo, sofre muito mais. Há estudos indicando que o período entre os 36 e os 46 anos é determinante para a longevidade e a qualidade de vida.
Evite as outras flutuações
As flutuações hormonais são próprias dessa fase. O que você pode fazer é evitar as outras que as pioram:
- Glicemia e insulina: refeições equilibradas, sem picos de açúcar
- Cortisol: cuidar do estresse, especialmente se você vem de um burnout ou vive acelerada
- Ritmos do corpo: rotina estável, respeitando o ciclo do dia e da noite (circadiano) e o ciclo do mês (infradiano)
- Nutrição: sair da lógica da restrição e focar em se nutrir, para dar ao corpo o que ele precisa e favorecer a longevidade dos ovários
Se o corpo está sempre em modo de sobrevivência, a mudança fica muito mais difícil.
Costumo comparar com uma turbulência no avião. Numa situação, você está sentada, com o cinto, esperando passar. Na outra, foi pega de surpresa em pé no banheiro, desesperada. Cuidar da saúde agora é escolher atravessar a transição sentada e de cinto.
Dúvidas mais frequentes
Com quantos anos começa a perimenopausa?
Não há uma idade fixa, mas os sintomas costumam começar cerca de 10 anos antes da menopausa, muitas vezes por volta dos 35 a 40 anos.
Meus exames estão normais. Posso estar na perimenopausa?
Pode. Os hormônios flutuam e o exame é só uma foto. Os sinais do corpo e do ciclo dizem muito.
A reposição hormonal resolve?
Depende da fase e de cada caso. Mesmo com reposição, intestino, sono, estresse e nutrição continuam influenciando muito o resultado.
Dá para voltar a menstruar com mais regularidade?
Já acompanhei alunas com ciclos de 2 a 3 meses que voltaram a menstruar com mais frequência depois de ajustar alimentação e estilo de vida. Não é regra, mas mostra quanto o corpo responde ao cuidado.
Atravesse a transição com cuidado
Se cuidar da saúde ficou em segundo plano até agora, este é o momento de começar. E se você já se cuida, sempre há ajustes para ficar ainda melhor. No Woman’s Academy a gente não olha só para estrogênio e progesterona: cuidamos do metabolismo inteiro (intestino, sono, energia, nutrientes) para você passar por todas as fases com mais leveza: conheça o Woman’s Academy
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