A insônia, a irritação e o cansaço que pioram bem na TPM. O ciclo que encurtou. A menstruação que aparece duas vezes no mesmo mês. Aquele gotejamento que fica avisando que vai descer, mas não desce.
Se você se reconheceu, respira: não é frescura e não é só “a idade chegando”.
Sim, a gente perde progesterona naturalmente a partir dos 35 anos. Mas muitas mulheres estão acelerando essa queda sem perceber, por causa de um hábito que parece o retrato da saúde. E isso explica por que algumas tomam suplemento, fitoterápico e às vezes até repõem progesterona bioidêntica, e mesmo assim não veem resultado.
Por que a progesterona importa tanto
A progesterona é o hormônio que acalma. Ela funciona como um ansiolítico natural e ajuda a melhorar:
- Dor nos seios, cólica e fluxo intenso
- Acne e queda de cabelo
- Ansiedade, irritação e sono
- O metabolismo: quando produzimos progesterona, gastamos cerca de 300 calorias a mais por dia, o que ajuda a mudar a composição corporal
Sinais de que a sua progesterona está baixa
- Ciclo cada vez mais curto, às vezes menstruando duas vezes no mesmo mês. Além de indicar falta de progesterona, a menstruação frequente faz você perder muitos nutrientes.
- Gotejamento antes e depois da menstruação, aquele sangue que fica pingando por alguns dias. É sinal de progesterona muito flutuante.
- Insônia, irritação e cansaço que pioram no período pré-menstrual.
- Sangramento no meio do ciclo, quando era para você estar ovulando. Esse é um sinal de alerta importante.
Os sintomas de excesso de estrogênio também costumam aparecer, porque falta progesterona para equilibrá-lo. Falo mais sobre isso no post sobre predominância estrogênica.
O que quase ninguém conta: progesterona é cara de produzir
Nós, mulheres, gastamos em média de 1.200 a 1.500 calorias por dia só para manter o corpo funcionando: cérebro, intestino se renovando, sangue circulando. É a taxa de metabolismo basal.
Para produzir progesterona, o corpo precisa construir um órgão novo e temporário todo mês: o corpo lúteo, que existe por cerca de 16 dias depois da ovulação. E a ovulação é a única forma natural de os ovários produzirem progesterona.
Construir esse órgão exige energia extra, além da basal. Já reparou que a fome aumenta perto da ovulação? É o corpo pedindo combustível para que esse evento aconteça.
Quando o corpo sente que falta energia, ele faz o mais lógico: entra em modo de escassez e não prioriza a ovulação. Para produzir progesterona, o corpo precisa se sentir seguro.
O cardápio “certinho” que pode estar minando a sua progesterona
Veja um dia que pode ser muito parecido com o seu:
- Café da manhã: 2 ovos, 2 fatias de pão e 1 fruta
- Almoço: uma proteína, alguns vegetais e uma porção de batata ou arroz
- Lanche: iogurte com frutas
- Jantar: sopa, carne, omelete ou crepioca
É uma alimentação saudável e variada. Mas esse cardápio tem cerca de 1.200 calorias. Se você come assim todos os dias, há muito tempo, e ainda faz atividade física (o que é ótimo e todas nós devemos fazer), provavelmente está comendo menos do que precisa.
Esse déficit de energia, e consequentemente de nutrientes, afeta diretamente a ovulação e a produção de progesterona. E estudos mostram que, em mulheres, o déficit calórico prolongado pode até piorar a composição corporal: menos perda de gordura e menos ganho de massa magra.
Ter alimentos saudáveis no prato nem sempre é garantia de saúde.
E se eu repuser progesterona e continuar comendo pouco?
Pode até parecer funcionar no começo, mas há dois problemas:
- Quando você vive em hipoglicemia ou com adrenalina e cortisol altos, a progesterona não se conecta bem ao receptor e não funciona como deveria dentro do corpo.
- A restrição prolongada começa a afetar a tireoide e a produção de estrogênio, acelerando o envelhecimento.
Tenho muitos relatos de alunas que melhoraram a composição corporal, o cansaço, a energia, os sintomas de SOP e até a dor nas mamas quando ajustaram a quantidade de comida. Elas perderam o medo de comer e entenderam que, antes de tudo, a gente precisa se nutrir.
Num mundo que incentiva corpos cada vez mais magros, treino em jejum, corte de carboidrato e dietas extremamente restritivas, isso pode ser difícil de acreditar. Mas saúde não é estética.
Como saber se você está comendo menos do que precisa
- Observe o seu ciclo: ciclo encurtando, gotejamento pré-menstrual e sangramento no meio do ciclo são sinais de alerta.
- Meça temperatura e pulso ao acordar: a temperatura basal deve ficar acima de 36,5 °C e o pulso acima de 70 batimentos por minuto. Explico como fazer no post sobre metabolismo lento.
- Estime a sua taxa de metabolismo basal: o ideal é calcular com base na massa magra. Duas mulheres com o mesmo peso podem ter necessidades diferentes, e quem tem mais músculo precisa comer mais.
Se perceber que precisa comer mais, faça isso de forma gradual, algo em torno de 100 calorias a mais por semana, com foco em carboidrato e proteína de qualidade. E atenção: não é sobre bater meta de caloria com doces e industrializados, porque isso desnutre ainda mais.
Dúvidas mais frequentes
Fazer exame de progesterona resolve?
Nem sempre. A progesterona flutua muito ao longo do ciclo, então um exame isolado pode vir normal mesmo com sintomas. Os sinais do ciclo costumam dizer mais. Explico isso no post sobre o que a menstruação revela.
Treino muito e como pouco para emagrecer. Isso afeta a progesterona?
Pode afetar. Gastar mais energia com atividade física e comer pouco é a combinação que mais leva ao déficit energético e à falta de ovulação.
Então preciso comer qualquer coisa para aumentar as calorias?
Não. O objetivo é se nutrir: aumentar aos poucos com comida de verdade, e não com doces e ultraprocessados.
Tenho SOP. Isso vale para mim?
Muitas alunas com SOP perceberam melhora quando saíram da restrição. Cada caso tem particularidades, mas o princípio de nutrir o corpo vale para todas.
Quer cuidar da sua progesterona por todos os pilares?
Alimentação suficiente é um dos pilares. Intestino, estresse, sono e nutrientes completam o quadro. No Woman’s Academy eu te ensino a cuidar de cada um deles de forma natural: conheça o Woman’s Academy
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